Encontros Nacionais Fé e Política – Entrevista com Daniel Seidel, coordenação local do 9º Enc. Nacional Fé e Política

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“Há uma crise ecológica e social sem precedentes no mundo e por isso é preciso repensar profundamente os valores e a ética que nos anima a participar dos movimentos sociais e da política. Reconhecemos que é na partilha dos bens e dos saberes que encontraremos saídas, baseadas nas tradições das quais somos herdeiros, todavia é preciso também repensar o sistema político e as relações de poder para que se baseiem na igualdade entre homem e mulher e na garantia da participação dos sujeitos sociais historicamente excluídos: mulheres, negros, indígenas, idosos, jovens, pessoas com deficiência, comunidades tradicionais de matriz africana, cigana, quilombolas, pessoas e famílias em situação de extrema pobreza, pessoas em situação de rua, catadores(as) de materiais recicláveis e reutilizáveis”

Entrevista com Daniel Seidel[1], da Coord. local do 9º Encontro Nacional Fé e Política

1 – Qual o objetivo do encontro?

Os Encontros Nacionais Fé e Política são espaços para vivência de três dimensões: reflexão, celebração e troca de experiências. O 9º Encontro Nacional, que será realizado de 15 a 17 de novembro deste ano, em Brasília. Terá como tema “Cultura do Bem Viver: partilha e poder”. Por meio dele queremos aprofundar, a partir da partilha de experiências e do estudo, a busca por uma nova utopia, de uma nova meta-síntese que anime a ação dos militantes sociais e na política, repensando o modelo de desenvolvimento e o estilo de vida em sociedade. A inspiração vem dos povos originários da América (Quéchuas, Aymaras, Guaranis, nossos irmãos indígenas), que souberam construir sociedades baseadas na interação construtiva com a natureza e em preservação e defesa da vida na terra. O planeta não suporta mais o atual modelo de desenvolvimento, que gera miséria, exclusão e destruição da natureza. Há uma crise ecológica e social sem precedentes no mundo e por isso é preciso repensar profundamente os valores e a ética que nos anima a participar dos movimentos sociais e da política. Reconhecemos que é na partilha dos bens e dos saberes que encontraremos saídas, baseadas nas tradições das quais somos herdeiros, todavia é preciso também repensar o sistema político e as relações de poder para que se baseiem na igualdade entre homem e mulher e na garantia da participação dos sujeitos sociais historicamente excluídos: mulheres, negros, indígenas, idosos, jovens, pessoas com deficiência, comunidades tradicionais de matriz africana, cigana, quilombolas, pessoas e famílias em situação de extrema pobreza, pessoas em situação de rua, catadores(as) de materiais recicláveis e reutilizáveis.

2 – Quem pode participar?

Pessoas (militantes) que animados pela fé participam de movimentos sociais, de partidos políticos, de sindicatos, movimentos populares, pastorais sociais, igrejas, na perspectiva da transformação social ou pessoas que participam de movimentos e queiram aprofundar sua experiência de fé. É um encontro pluripartidário e plural em termos das expressões de fé, todavia que tenham compromisso com a construção de uma sociedade fraterna, inclusiva, solidária e sustentável. É o espaço para acolhida de políticos eleitos e de pessoas que exerçam cargos públicos nos três poderes e que desejem, sinceramente, compartilhar sua experiência e se animar a partir da celebração e aprofundamento de sua fé. Há no sítio do movimento a carta de princípios que norteia nossa adesão. As inscrições estão abertas: www.fepolitica.org.br. A experiência de participação no encontro nacional é de simplicidade: as pessoas serão acolhidas nas casas de famílias do povo da periferia do Distrito Federal e compartilharão de sua comida e cultura. Todos serão convidados a realizar na prática a experiência da partilha dos serviços necessários para manutenção do meio ambiente do encontro, numa atitude solidária.

3 – Qual a expectativa para o encontro?

Formular uma proposta de nova sociedade baseada nos princípios e valores da Cultura do Bem Viver aplicada à realidade brasileira, a partir das várias (e ricas!) experiências que já estão acontecendo. Animar a realização de um Plebiscito Popular sobre a reforma do Sistema Político do Brasil em setembro de 2014, a partir da coleta de assinaturas para iniciativa popular de Reforma Política, formulada pelas organizações sociais do país (entre elas a CNBB, a OAB, o MCCE), que defende entre outras propostas a representação igual entre homens e mulheres nos parlamentos e o financiamento público de campanhas. E, é claro, animar o compromisso e fortalecer a prática coerente e emancipatória dos(as) lutadores(as) sociais por uma sociedade de vida plena para todos(as) em interação com a Mãe-Terra e os demais seres viventes.

4 – Qual o tema e como será debatido e refletido?

O tema é “Cultura do Bem-Viver: partilha e poder”. Teremos no feriado da sexta-feira, dia 15 de novembro, a partir das 15h, o Ato Nacional de Lançamento do Plebiscito Popular pela Reforma do Sistema Político e em seguida o Ato de Abertura, com celebração e mesa. Na manhã do sábado, dia 16, teremos três exposições: uma sobre Cultura do Bem Viver; outra sobre a Partilha na Cultura do Bem Viver; e finalmente, como é o exercício do poder nesta perspectiva. Em seguida ocorrerá o diálogo por meio da “Fila do Povo”. A tarde de sábado será dedicada a realização de 26 fóruns temáticos (vide temas na página do movimento), em grupos de 40, 100 ou 200 pessoas; Cada fórum tem um ou dois assessores, coordenadores e estudantes-relatores para registro da reflexão a partir da dinâmica de interação entre assessores e participantes. O domingo está reservado para um “grande retiro”, para lançar as redes em águas mais profundas. Todo o encontro será permeado de celebrações bastante participativas e na celebração final teremos o plantio de nove árvores (nativas do Cerrado do Planalto Central) na Universidade Católica de Brasília, simbolizando os nove Encontros Nacionais e o compromisso de cada participante realizar o mesmo gesto para compensar o Carbono que será gerado pela realização do 9º Encontro Nacional Fé e Política.

5 – Quantas pessoas devem participar?

Desejamos reunir em torno de 4 a 5 mil pessoas engajadas na transformação social de norte a sul do país e animar a formação de grupos de fé e política, bem como a realização de encontros estaduais que continuem a aprofundar o tema nacional aplicando-o para sua realidade regional ou municipal.

6 – Qual atual e principal preocupação do movimento fé e política a partir da situação atual da Igreja e da política no Brasil?

A principal preocupação é garantir um espaço de acolhida para que os(as) lutadores(as) sociais que se engajaram a partir de sua fé, possam refletir sua prática, aprofundar sua fé e trocar experiências para não desanimar diante dos desafios que a política apresenta hoje para quem deseja um mundo fraterno. Muitos militantes que foram incentivados pelos líderes religiosos à participação na política, quando se elegem tem dificuldade de serem aceitos no retorno às suas comunidades de origem. Assim, olhando para o cenário político do país, acreditamos que é necessária e urgente uma profunda reforma política, que tenha protagonismo popular; acompanhada da formulação de uma nova utopia (meta-síntese) que questione o consumismo exagerado da sociedade atual e que transforme as relações sociais atuais em convivência fraterna, igualdade social, finalidade comum e social de todo bem, maior democracia no acesso aos meios de comunicação de massa, superação da pobreza com acesso a serviços públicos de qualidade (educação, assistência social, saúde, transporte público, lazer, entre outros). Isso exige repensar o Estado no Brasil, como fizemos durante a 5º Semana Social Brasileira: Estado para quê? E para quem? A Igreja Católica no Brasil tem uma rica tradição de participação na construção da democracia no país e o testemunho do papa Francisco tem animado a muitos, cristãos e não cristãos, na vivencia da simplicidade, do diálogo e da coerência entre discurso e prática social. A construção da Paz na sociedade brasileira passa necessariamente por uma maior organização da população em geral, pelo conhecimento da história, como temos conseguido por meio das Comissões da Verdade pelo país e por novos mecanismos de democracia que se utilizem do diálogo (pela internet ou não) para construção das políticas públicas. O que sabemos é que o Brasil tem riqueza suficiente para garantir vida plena para toda a população, mas para isso é preciso repartir… mudar as relações entre o Estado e as organizações da sociedade civil…

[1] Daniel Seidel, 46, é membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília, professor da Universidade Católica de Brasília (licenciado) e Secretário de Estado da Assistência Social (SEDEST) do Governo do Distrito Federal.

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