lixões e aterros sanitários nossos de cada dia

Lixão
O Processo Sanclar, em vigor no Rio, é uma iniciatica que contribui para dignificar atividade de reciclagem, responsável pela manutenção de muitas vidas, e ainda ameniza o problema da poluição gerada por  lixões e aterros sanitários.  Neste ano o tema ganhou o mundo com o documentário “Lixo Extraordinário”, a coprodução de Brasil e Reino Unido que concorreu ao Oscar. O documentário, um projeto do artista brasileiro Vik Muniz gravado aterro sanitário do Jardim Gramacho no Rio de Janeiro, não levou a estatueta, mas lançou luz sobre o assunto que na rotina enterramos sem perceber. 
Por hora, vale conferir, abaixo, o artigo da jornalista  Lucila Cano.

Brasileiro cria sistema que elimina lixões

Por Lucila Cano

O contato com o dia a dia de catadores do lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, RJ, inspirou o engenheiro Edgard Bottini, especialista em caldeiras e termodinâmica, a criar um sistema de sanificação e classificação de resíduos, o Processo Sanclar. Enquanto trabalhava na montagem e entrega técnica de sistema de captação e queima em flare (chaminé) dos gases do lixão, Bottini conversou muito com os catadores. Pôde constatar pessoalmente o nível de miséria em que essas pessoas viviam, entre elas muitas crianças, além do risco diário a que se submetiam pelo manuseio direto da imundície. Isso foi em 1996.

A partir dessa experiência, Bottini se dispôs a encontrar uma solução que impedisse o contato humano com dejetos. À medida que os estudos avançavam, desafios se sobrepunham a eles e ampliavam as possibilidades de uma solução para o problema do lixo urbano. Foram doze anos de pesquisa incessante desde que o engenheiro foi afetado pela dura realidade dos catadores de Duque de Caxias. Uma realidade que tende a se repetir em todo o País, enquanto a lei que regulamenta a destinação do lixo não for integralmente respeitada e cumprida (a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi sancionada pelo presidente da República em agosto de 2010). SANIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUOS A aplicação do Processo Sanclar, patenteado por Bottini, já está sendo estudada por algumas prefeituras e/ou regiões que congregam vários municípios, incluindo a geração de energia elétrica integrada na planta.

Uma usina de proporções reduzidas, para processamento de 180 toneladas/dia e geração de energia conjunta, com área de instalação de vinte mil metros quadrados, por exemplo, é concluída no prazo de oito meses. Nela ocorre a sanificação dos materiais, a qual elimina chorume e metano e neutraliza qualquer elemento contaminante. Em uma etapa seguinte, o Processo Sanclar realiza a separação mecânica dos principais componentes do lixo e prepara os produtos passíveis de reciclagem. Eles saem da usina limpos, secos e sem odores. O material celulósico, sempre em grande proporção, sai seco, descontaminado e em volume bruto reduzido. Nesse processo pode estar uma solução viável para a ameaça da poluição e dos problemas associados aos lixões e aterros sanitários, além do tão esperado fim do contato do homem com o lixo contaminado. Segundo Bottini, “trata-se de um sistema que, além de ser um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), pois não polui nem o ar, nem o solo, nem a água, incrementa e valoriza a reciclagem e inclui os catadores na sociedade, dando-lhes profissão e assistência social”. BENEFÍCIOS SOCIAIS Embora o Processo Sanclar seja um negócio que Bottini queira viabilizar economicamente, a preocupação social dele é grande e voltada para a inclusão dos catadores: “Já pensou, catadores transformados em funcionários registrados, com assistência social e oportunidades de evolução?”, diz o engenheiro. E que outros benefícios o sistema proporciona? Da lista fornecida por Bottini, alguns destaques são: lixo sem chorume; nada de ratos, insetos, mau cheiro nem contaminação; materiais recicláveis limpos, com maior valor agregado para a venda e mediante nota fiscal, o que estimula compradores e prefeituras; poluição zero tanto para o solo quanto para a água, com controle e monitoramento permanentes; poluição do ar muito próxima do zero, restrita ao C02 emitido pela usina, mas sem contaminação; alto crédito de carbono e eliminação total de metano. O material celulósico remanescente do Processo Sanclar é seco e de alto poder calorífico, o que permite queima completa em suspensão em caldeiras ou fornos, com grande rendimento e sem emissão de poluentes ou partículas.

A geração de energia elétrica é da ordem de 1,015 kW por quilo de lixo bruto. Bottini credita ao seu invento um processo com sustentabilidade integral: o fim do lixo urbano, lixões e aterros sanitários, enquanto municípios arrecadam seus impostos e catadores conquistam empregos dignos.

Lucila Cano é jornalista, colaborou com Engel Paschoal e assumiu a autoria da Coluna Ética e Sociedade de A Tribuna.

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Uma resposta para lixões e aterros sanitários nossos de cada dia

  1. Deputado Vareza: Congratulo-me com a promoção do Processo Sanclar para tratamento de resíduos urbanos e hospitalares com poluição zero e busca da rciclagem 100% além da possibilidade de eliminação de lixões existentes com a remediação do terreno ora condenado. Ficamos à disposição para qualquer complementação de informações técnicas e gostaríamos de contar com seu relacionamento político para difusão junto aos prefeitos de seu partido.
    Atenciosamente: Eng. Edgard Bottini (Instituto Sanclar)
    e.mail: alerteb@terra.com.br – fones: 11 5589-2861 e 98432-6972

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